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Simbolismo e ordem cósmica - ontem e hoje

MOTIVO & OBJETIVO

 

W. R. Inge, no clássico “Christian Mysticism”(New York, 1956), afirma: “O misticismo é a tentativa de realizar, no pensamento e no sentimento, a imanência do temporal no eterno, e do eterno no temporal… Mas, uma vez que a nossa consciência do além é ela própria desprovida de forma, ela não pode ser trazida diretamente a uma relação com as formas do nosso pensamento. Em decorrência disso, ela tem de se expressar por símbolos.”

 

Tudo isso está certo, mas deixa de fora o principal: Se os símbolos são apenas instrumentos da linguagem humana, eles são criados pelo homem e nada mais expressam do que o pensamento humano mesmo. A famosa “imanência do temporal no eterno e do eterno no temporal” não passa, aí, de um fenômeno interno da mente humana, sendo inteiramente temporal e nada tendo de eterno exceto uma pretensão nominal que atesta a sua própria impotência.

 

Ou os símbolos são a linguagem do próprio eterno e o canal do seu ingresso na esfera temporal, ou toda pretensão de falar do eterno só nos aprisiona mais e mais na esfera temporal.

 

Mais que o advento da física matematizada, mais que o surgimento das monarquias nacionais e de um punhado de impérios em concorrências, mais que a arte de Michelangelo e Leonardo, essa questão marca a passagem da civilização medieval à “Idade moderna”.

 

Desde a distinção galilaica entre “qualidades primárias” e “qualidades secundárias” dos objetos, tudo o que pudesse indicar ou sugerir um simbolismo da natureza, uma intencionalidade cósmica, a unidade profunda da alma humana com o cenário cósmico em torno, a existência de um “sentido” na presença humana no cosmos foi cada vez mais expulso do mundo real e aprisionado no recinto fechado da subjetividade humana, da fantasia arbitrária, da criatividade linguística, da “invenção cultural”. Quando não da superstição ou da loucura pura e simples.

 

O discurso religioso, nesse panorama, paira acima da experiência real, como duas substâncias separadas e infungíveis, como a água e o óleo. Os símbolos cristãos perdem força  vivida e se reduzem a figuras de linguagem. A fé, em vez de ser a continuidade e o estágio superior da razão e da experiência, torna-se uma aposta voluntarista em tradições veneradas e em esperanças etéreas.

 

De que adianta o fiel repetir que “os céus cantam a glória de Deus” se o único céu que ele conhece é o da ciência física moderna, o qual não apenas não canta, mas nem mesmo fala?

 

O objetivo deste curso é mostrar a urgência e a possibilidade de recuperar o simbolismo natural sem o qual o discurso religioso se reduz cada vez mais a uma retórica convencional e à expressão de um wishful thinking impotente.

 

PROGRAMA

 

Aula 01 
A imagem do homem e do universo na Idade Média e o advento da ciência moderna.

 

Aula 02 
Vocação e concentração. Remoção de obstáculos psicológicos.

 

Aula 03

A sujeição do cristianismo à ciência moderna.

 

Aula 04 
Os principais códigos simbólicos: Estética, astrologia e alquimia.

 

Aula 05

Relendo Sto. Tomás

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